menu close menu

Eu olho com fé ou descrença?

 

 

Quero partilhar com vocês o que rezei, baseado na liturgia de hoje (Mt 9,32-38, do dia 10/07/2018). Achei curioso quando Jesus expulsa o demônio de um mudo. Quando o demônio é expulso, o mudo começa a falar normalmente. E depois disso, a narrativa nos questiona muito sobre como olhamos os sinais que Deus nos dá, sobre como olhamos a ação de Deus em nossa vida. Isso porque temos duas reações contrárias diante da mesma ação de Jesus.

 

A primeira, da multidão, que, admirada, exclamou: “Nunca se viu coisa igual em Israel!”. A outra, dos fariseus, que, menosprezando a ação de Deus, afirmam que Jesus fizera tal coisa com o poder do chefe dos demônios. Coisa estranha! A mesma ação de Deus e duas reações diferentes. O mesmo sinal e dois olhares distintos. Por quê? O que diferencia esse olhar? Não hesito em afirmar que é o coração. Na reação positiva, o coração tem fé, a pessoa tem o olhar dócil para ver, tem sensibilidade para acolher o mistério. Na reação negativa, o coração está endurecido, a pessoa tem os olhos viciados pelos olhares doentes do passado e das estruturas antigas de sempre. A sensibilidade foi perdida.

 

 

 

 

Não há dúvidas: nós escolhemos como vemos as coisas de Deus. Escolhemos até mesmo vê-las ou não. Uma manhã ensolarada pode ser apenas o resultado da rotação da terra, mas pode também ser um sinal do dom de Deus que é a vida, renovando-se naquele dia, pois, afinal, eu ainda estou vivo, e isso eu não comando. Olhar minha mãe e meu pai, mais uma vez, pode ser o resultado lógico de mais um dia, ou a graça de Deus que me permitiu tê-los comigo mais uma vez. Sei disso, porque meu pai já morreu, e essa graça eu não tenho mais aqui, neste mundo. Quantas vezes eu perdi aquele “pequeno milagre” de tê-lo visto a cada dia. Hoje é tarde demais.

 

Como eu escolho olhar a minha vida? Como eu escolho olhar a minha família? O meu corpo? As pessoas que amo? O grupo que frequento? O trabalho que tenho? Meu pai? Minha mãe? A mim mesmo? Valorizo ou desprezo? Com olhar cheio ou vazio? Eu escolho! A escolha é minha. Só minha. De mais ninguém.

 

 

Deus continua em minha vida. Sim! Ele está em minha vida. Está em sua vida! Ele está sim, semeando as sementes do Seu amor, da Sua graça. Deus está em nossa vida, estalando os dedos como quem chama a nossa atenção, perguntando: “Você está me vendo? Você está me percebendo? Está vendo os meus sinais? Percebe que eu faço inúmeros milagres a cada dia? Só falta você ver. Veja!”. Espero sim que você veja, não confundido a graça com o nada, ou pior ainda: com o mal. Isso significa não menosprezar: nem a Deus, nem os outros, nem a mim mesmo, nem aquilo que o próprio Deus coloca em meu caminho. Quando rezei, hoje, a primeira leitura, do livro de Oseias, vi que nela manifesta um lamento de Deus: “Eu lhe deixei, por escrito, grande número de recados meus, mas estes foram considerados coisa que não lhes toca” (Os 8,12). Não lhes toca? No sentido de “não se deixar tocar” porque o coração está endurecido, ou no sentido de “isso não me interessa”? Acho que tanto faz. Dos dois jeitos, a vida da pessoa perde o brilho, perde o calor, perde a chance do milagre.

 

 

 

 

Filhos queridos, espero que em nossos corações existam grandes olhos capazes de contemplar os toques de Deus, a fim de que a nossa vida tenha mais sabor, mais alegria, mais entusiasmo, tal como o daquela multidão maravilhada por ver como Jesus é capaz de salvar uma vida. Assim, não seremos tão mudos na gratidão e no louvor de Deus.

Deus os abençoe!

Padre Ernani Maia dos Reis, MT

 

11 de julho de 2018 | Artigos | Comentários desativados em Eu olho com fé ou descrença?
Tags:

Comments are closed.

Left Menu Icon
Monges da Trindade