menu close menu

Estações

 

 

Sempre me inquieta olhar para a natureza e contemplar as estações do ano. Do calor escaldante do verão à rigidez do frio do inverno, meu olhar é despertado para as mudanças que a natureza sofre.
No outono, vejo as folhas que secam, o verde que se esvai como se estivesse morrendo, e quando chega o inverno, as últimas folhas caem, a natureza parece envolvida pela tristeza. As árvores, agora quase nuas, parecem chorar a ausência das cores. No entanto, quando chega o verão e também a primavera, vejo tudo renascer outra vez. Cada árvore parece novamente sorrir e cada flor que desperta outra vez parece trazer vida uma vez mais ao ambiente.
Fico pensando no quanto a primavera é a estação da alegria, da beleza e da delicadeza, e me pego questionando por que não pode ser assim o ano todo. Então me dou conta de que se as flores estivessem sempre ali, o ano todo, talvez não as valorizasse como eu valorizo quando elas começam a nascer. É a ausência em determinadas épocas do ano que as tonam especiais! E fico pensando que a natureza, assim como nós seres humanos, possui processos de mudanças a serem vividos.

 

Dentro de cada ser humano existem estações que nos transformam, nos fazem crescer e nos ensinam a valorizar a vida, que abrem nossos olhos a um novo caminhar.

Fecho os olhos! Paro por um momento e olho para dentro de mim. Como num filme, contemplo as estações já vividas até hoje. Aqueles momentos de primavera onde contemplei as “flores” no meu jardim, momentos de alegrias, de sorrisos e abraços. Vejo o verão, aquela sensação gostosa do “calor” quando venci obstáculos que pareciam insuperáveis, quando alcancei vitórias que nunca sonhei alcançar. Mas também vejo o outono quando toco no “vento” dos obstáculos que se apresentaram, das situações que pareciam sem solução dentro de mim. Toco no inverno, na rigidez do “frio” diante dos limites da vida, o “frio” das perdas e dos medos, a sensação de morte quando o colorido da vida desapareceu.

E quando percebo estas estações dentro de mim, olho para Deus e me questiono, como também questiono a natureza: por que tantas estações? Seria tão mais simples viver apenas a primavera! E olhando para Jesus, modelo de vida, vida que me ensina, vejo no Evangelho as estações da vida do meu Senhor, estações que dão sentido às minhas estações.

Vejo Jesus na alegria da transfiguração, vejo Jesus na agonia do horto, vejo Jesus no limite da dor na Cruz, e O vejo no encanto glorioso da Ressurreição. Então percebo que é a sua vida que dá sentido à minha, quando sua história me diz que só existe a ressurreição depois que as outras estações se foram, e que a glória só tem sentido depois de experimentar a miséria, a morte e a dor.

Cada um de nós experimentou e continua experimentando as próprias estações. Cada uma delas abrem portas a serem adentradas rumo a novas descobertas. A grande questão quando essas portas se abrem é se temos coragem para entrar, se somos capazes de abrir os olhos e viver cada nova lição a ser apreendida.

Nas estações da vida de Jesus, cada porta adentrada nos trouxe redenção, cada fase vivida uma nova lição a ser aprendida. Se hoje contemplo na vida de Jesus pegadas de aprendizado que geram redenção e salvação, hoje também sou convidada a olhar, com olhar de fé, ao lado de Jesus, as estações da minha vida, estações já vividas que, nas pegadas da minha história hoje, me mostram flores colhidas depois do outono, e também me mostram o sol quente depois de um árduo inverno.

Nas pegadas da minha história vejo as pegadas de Jesus, do Deus que desceu à terra, tomou sobre si as estações humanas para me ensinar a viver as minhas estações. E quando me recordo de cada estação vivida ao lado de Jesus, meu olhar se abre e a esperança chega como aquela primeira flor que se abre na primavera. E eu percebo que, assim como na natureza as estações terminam e nascem de novo, assim como na vida de Jesus a cruz passou e chegou a ressurreição, na minha vida também é assim. Muitas estações já passaram e outras estão por vir. A estação que eu vivo neste momento está em constante movimento, logo ela irá passar e uma nova irá nascer. Percebo os passos de Jesus na minha história, vejo estes mesmos passos no hoje e tenho certeza de que não estou sozinha, Ele caminha comigo! Ele permanece comigo, e isso é garantia de que haverá um futuro, garantia de que o inverno irá passar, de que enquanto a raiz estiver neste solo que é Jesus, haverá sempre a espera pela primavera, haverá sempre a certeza de que, no momento certo, a ressurreição chega trazendo toda a fortaleza adquirida no inverno.

Pare! Feche os olhos e contemple suas estações, contemple o ciclo sempre em movimento em sua vida. Olhe para as marcas das pegadas de Jesus na sua história, pois elas são a garantia de que não importa qual seja a estação que você está vivendo agora, sua vida está em movimento e Jesus é quem lhe diz: Eu estou em todas elas! Tenha fé!

 

Ir. Pricila da Silva Beletato, MT

10 de outubro de 2017 | Artigos | Comentários desativados em Estações
Tags:

Comments are closed.

Monges da Trindade