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Arca da Esperança

por Pe. Bruno

Arca da Esperança

INTRODUÇÃO

“Esta é a história de Noé. Noé era um homem justo e perfeito no meio dos homens de sua geração. Ele andava com Deus” (Gn 6, 9).

Esta é a história de cada homem, que nasce, cresce, amadurece pelo amor e pela dor, vive alegrias e tristezas. Ele levanta a cada dia, faz o que pensa que tem que fazer, se tem sonhos os busca, se não os tem apenas vive mais um dia, muitas vezes sem se dar conta de que cada dia a mais é também um dia a menos e que seu fim se aproxima.
Em algum momento da vida, no entanto, Deus, através da experiência da vida, faz cada homem parar para refletir sobre o que ele fez e foi até ali. “Que homem se tornou?”, lhe pergunta, “Quais caminhos seguiu? Onde chegou?”
Este homem, diante de um caos pessoal, começa a refletir: “Eu tenho sonhos? Eu os realizei? Eu ainda posso realizar algum? E a tal felicidade, existe mesmo? Eu a encontrei? Eu a perdi? Eu ainda posso ser feliz? Eu estou no caminho certo? O que eu fiz da minha vida?”
Este homem sou eu, somos nós. Olhamos ao nosso redor e percebemos que, se não paramos para refletir sobre nossa vida, ela se torna como um dilúvio que vai inundando os caminhos, cobrindo as possibilidades, arrastando e destruindo o que construímos, derrubando e afundando esperanças.
Quando não olhamos, Deus o revela, nos faz perceber, por seu Espírito, no íntimo de nosso espírito, que Ele nos ama, chama a cada um e quer fazer a aliança rompida pelos nossos pecados. Aliança que nasce, cresce, amadurece pelo amor e pela dor e vive na alegria e na tristeza. Deus olha e chama você e sua família. Ele quer todos, quer os próximos e os distantes. Quer colocar todos na arca do encontro e do reencontro, a arca do descanso e da cura, do cuidado e da alegria. Quer guarda-los, protege-los, dar-lhes o tempo de estar com Ele, estar com quem ama, estar consigo mesmo, como na história, que conta: “De cada espécie que tem um sopro de vida um casal entrou na arca de Noé. E o Senhor fechou a porta atrás dele. O dilúvio caiu sobre a terra durante quarenta dias. As águas incharam e levantaram a arca, que foi elevada acima da terra. As águas cobriram a terra pelo espaço de cento e cinqüenta dias” (Gn 7, 15-16c.17; 24).
É o tempo de Deus, tempo se recolher, tempo de rezar, tempo de pensar, tempo de mudar, tempo de recomeçar. Deus está sempre pensando em nós, sabe do que precisamos e sabe o momento certo de fazer cessar as tempestades, baixar as águas e nos dizer: “Sai da arca. Faze-os sair contigo para que se espalhem sobre a terra e para que cresçam e se multipliquem sobre a terra” (Gn 8, 16-17c).
E Noé levantou um altar ao Senhor. O Senhor respirou um agradável odor, e disse em seu coração: “Doravante, não mais amaldiçoarei a terra por causa do homem porque os pensamentos do seu coração são maus desde a sua juventude, e não ferirei mais todos os seres vivos, como o fiz. Enquanto durar a terra, não mais cessarão a sementeira e a colheita, o frio e o calor, o verão e o inverno, o dia e a noite” (Gn 8, 20ss). Essa é a bênção que Deus quer derramar sobre nós. Ele quer nos ajudar a viver com alegria apesar das tristezas, a ter prazeres apesar dos sofrimentos, em família e ao redor Dele. Deus diz ainda: “Faço esta aliança convosco: nenhuma criatura será destruída pelas águas do dilúvio, e não haverá mais dilúvio para devastar a terra. Ponho o meu arco nas nuvens, para que ele seja o sinal da aliança entre mim e a terra” (Gn 9,11.13).
Em terra firme, o homem renasce. A vida não o atropela, ele a ama, a abraça e a ela se doa através de seus talentos, sua perseverança e sua presença. Vivendo de fato, troca experiências sem se perder no outro, sem se perder de si mesmo. Dá e recebe enriquecendo o outro e se tornando mais maduro e equilibrado através do entendimento que o tempo traz do que existe e que experimenta com a liberdade de quem tem as rédeas da vida nas próprias mãos. Vê o passado, escolhe o presente e constrói o próprio futuro. Para atravessarmos esse dilúvio e conquistarmos a terra firme, tomemos acento na Arca da Esperança!
A Arca da Esperança é uma experiência, pessoal comunitária, em grupo, de escuta de Deus e de sua Palavra, no seu Espírito. Experiência de oração, reflexão e partilha, em comunhão com Deus, no autoconhecimento e no discernimento da missão de cada participante.
Para isso, cada participante deve ter um momento diário de oração pessoal em seu lar ou lugar propício, e uma reunião semanal com seu grupo de partilha, chamado arca, orientado por um monge.